segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Pedagogia da Autonomia - Comentários


Pedagogia da Autonomia - Comentários
Pedagogia é antes de tudo a ciência de ensinar, especialmente crianças e adolescentes. Na Grécia Antiga pedagogo (gr. paida = criança; gogós = conduzir) era o escravo que conduzia o filho de seu senhor para ser instruído, inclusive carregando seus equipamentos, como instrumentos musicais etc. Nenhum sistema pedagógico pode ser considerado como uma verdade única e absoluta, ou não estaremos mais falando de uma filosofia, mas de uma tirania intelectual. O maior erro do sistema pedagógico de Paulo Freire é que o método não foi criado para o professor. Trata-se de um sistema que anula a existência do mestre, como se fosse possível existir um sistema educacional sem a existência de um professor. Numa linguagem rancorosa, chega ao exagero de se referir ao professor de forma tão agressiva que antes de uma análise crítica o método Paulo Freire merece uma psicanálise. Somente uma pessoa que traga consigo traumas profundos de uma infância atormentada poderia dedicar tanta energia numa vingança contra alguém que nada mais faz do que mostrar aos neófitos a vastidão do universo científico.  
Nenhum método de ensino desaprovado por uma imensa maioria de professores pode ser imposto ao povo como uma verdade única e absoluta. Como considerar eficiente um método que não consegue demonstrar ao professor qual o seu propósito, nem consegue convencê-lo de sua eficiência. A rigor, segundo o método rancoroso de Paulo Freire que classificação receberiam Sócrates, Aristóteles e tantos outros mestres até hoje reverenciados pelas melhores instituições de ensino do mundo?  Este método de ensino se aplicado em uma escola russa ou chinesa que forme ginastas não produziria um único campeão olímpico, pois não existe vencedor sem esforço, sacrifício e um mestre. Esta dita, pedagogia do oprimido, ficaria mais bem qualificada se a denominássemos de pedagogia dos fracassados ou pedagogia das falácias. Pois, uma legião de fracassados é exatamente o quadro que este sistema tem produzido no Brasil e covardemente atribuído a culpa do insucesso ao professor. No mínimo os dirigentes da educação brasileira deveriam ter a honradez de assumir a responsabilidade pelo fracasso de suas opiniões anarquistas.
Paulo Freire nasceu em 19 de setembro de 1921, perdeu o pai aos 12 anos de idade e teve uma infância atormentada pela fome e pela pobreza. Como estudante foi reprovado por quatro vezes, atribuindo à sua condição social sua incapacidade de aprender. Acrescentando-se a este quadro o rigor das escolas tradicionais de sua época que exigiam resultados dos alunos independentemente de sua condição sócio-econômica fica evidente a origem da mágoa que Paulo Freire nutriu por seus professores. Durante sua adolescência podemos entender sua revolta contra professores insensíveis e incapazes de compreender sua fome e lhe dar um ponto a mais por misericórdia.
Mas o que não podemos aceitar é que o homem Paulo Freire tivesse continuado carregando consigo pela vida inteira a incapacidade de compreender. A incapacidade de compreender que os problemas sócio-econômicos de sua infância têm como causa - e causadores - uma elite econômica e política que até os dias de hoje controlam a distribuição de renda e pensamentos neste país, elite da qual o professor não faz parte e se não é o único combatente, com certeza é o maior deles. Menos tolerável ainda é que seus seguidores perpetuem o ódio do oprimido contra quem simplesmente exige do aluno que se desvincule da ignorância. Intolerável é que o senhor Paulo Freire e seus seguidores nunca tenham entendido que o próprio Paulo Freire foi conduzido de Pernambuco às principais universidades européias pelas mãos de um professor.
Pedagogia Da Autonomia   - Primeiras Palavras
Com um discurso repetitivo, muito mais disposto a convencer pela insistência do que pela razão, Paulo Freire escreve clara e explicitamente que seu discurso raivoso é antes de tudo um manifesto contra as injustiças de nossa terra, um protesto assumidamente sem qualquer critério científico ou racional. Uma manifestação insensata de ódio que se recusa a descobrir a sua própria razão de ser. A escrita de Paulo Freire se equipara a fúria de um louco na multidão que agride a todos sem saber o por quê, mas que vê no professor as causas de todas as suas desgraças. Cegado pela indignação não consegue ver que sua contribuição muito mais prejudica e agrava que ajuda a resolver a situação que ele próprio gostaria de combater.
Em seu livro Pedagogia da Autonomia, ele literalmente abdica da postura de observador imparcial e científico para dar vazão aos seus sentimentos de rancor como se a cegueira da raiva, ainda que legítima, fosse uma solução. Em seu desvario expele termos desconexos condenando uma filosofia anarquista que ele próprio pratica. A malvadez neoliberal em nada difere da malvadez socialista. A verdadeira malvadez e injustiça estão no egoísmo anarquista que ele mesmo tanto defende e condena. Embora atribua a si mesmo uma postura ética, não há como negar sua ingratidão ao condenar injustamente uma profissão que a vida toda lhe deu de comer, em vez de fazer uma psicanálise. 
Daí a crítica permanentemente presente em mim à malvadez neoliberal, ao cinismo de sua ideologia fatalista e a sua recusa inflexível ao sonho e à utopia.
Daí o tom de raiva, legítima raiva, que envolve o meu discurso quando me refiro às injustiças a que são submetidos os esfarrapados do mundo. Daí o meu nenhum interesse de, não importa que ordem, assumir um ar de observador imparcial, objetivo, seguro, dos fatos e dos acontecimentos.
Em tempo algum pude ser um observador “acizentadamente” imparcial, o que, porém, jamais me afastou de uma posição rigorosamente ética. Quem observa o faz de um certo ponto de vista, o que não situa o observador em erro. O erro na verdade não é ter um certo ponto de vista, mas absolutizá-la e desconhecer que, mesmo do acerto de seu ponto de vista é possível que a razão ética nem sempre esteja com ele.” _ Paulo Freire: Pedagogia da Autonomia

Autonomia (do Gr. auto-nomos: aquele que faz suas próprias leis) é um conceito encontrado na filosofia, na medicina, na moral, na política. Neste contexto refere-se à capacidade de um indivíduo racional tomar decisões conscientemente e sem coações. Na moral, na política e no direito, autonomia é o fundamento para se atribuir a alguém a responsabilidade por seus atos. Na medicina é um importante princípio deontológico onde a autonomia do paciente conflita com as responsabilidades éticas do médico. O termo aplica-se a diversos campos da ciência, na robótica, na indústria automotiva e em cada situação tem um significado particular, nem sempre significando soberania absoluta, capacidade ilimitada e irrestrita de autogerenciamento, pode significar uma relação entre o consumo de combustível e a quantidade de quilômetros rodados por um veículo. Pode-se também empregar o termo para se falar da autonomia de um Estado da Federação.  Autonomia também pode se referir à capacidade de autogerenciamento das pessoas, ou a quantidade, o tamanho, o limite de poder de decisão que um funcionário tem no exercício de sua função. O significado de uma palavra depende do contexto em que é empregada, da idéia que se quer transmitir, portanto, engessá-la com uma definição única e universal é um equívoco tão grande quanto deixar seu significado aberto, podendo significar o que quer que se queira.     
O termo autonomia quando aplicado no contexto escolar, fazendo referência à autonomia da criança e do adolescente deve ter seu significado analisado à luz das leis que regulam o tema e das demais ciências que se ocupam de estudar a criança sob todos os aspectos de seu desenvolvimento. Porém, jamais sem o olhar científico do qual Paulo Freire e seus seguidores insistem em abdicar.
Juntos, o Código Civil, o Estatuto da Criança e do Adolescente e a psicologia determinam limites a esta autonomia. À criança não é lícito praticar todos os atos jurídicos que um adulto pode praticar.  Como comprar bebida alcoólica, arma de fogo, assinar contratos, hospedar-se em um hotel, comprar uma passagem de ônibus ou mesmo ir ao teatro sem que preencha determinados requisitos como ter idade suficiente e estar acompanhada por um adulto legalmente responsável por ela.
A grande contribuição da pedagogia da autonomia foi inferir uma conclusão equivocada no meio estudantil induzindo ao erro de que a autonomia da criança se equivalha a uma soberania da criança na sala de aula. Onde cabe a ela decidir se quer ou não estudar. A lei ao determinar que o ensino seja obrigatório, não diz que a presença física da criança na escola seja obrigatória, mas sim que o aprendizado do currículo fundamental é obrigatório com ou sem sua presença física no recinto da escola. O prédio da escola é apenas o meio fornecido pelo governo para que se cumpra esta determinação legal por aqueles que não disponham de outro modo de atender ao que dispõe a lei. Estão livres de comparecer ao recinto escolar as crianças que se encontrem enfermas nos hospitais, os indígenas e outros povos que em razão da convivência com pessoas de cultura alienígena possam por a perder seus valores culturais, religiosos e familiares. Mas mesmo estes não estão desobrigados de adquirir o conhecimento mínimo que a lei obriga. Tendo que comparecer a uma unidade escolar ou exigir que a escola envie até a criança alguém que possa testá-la e conceder-lhe a certificação exigida por lei. Donde se conclui que não faz parte da autonomia da criança decidir se quer ou não fazer suas lições. Mesmo a psicologia e a medicina ao informarem que a criança não tem uma formação completa, ressaltam que a criança não pode tomar decisões desta grandeza por conta própria. Ainda a lei ao exigir do professor que garanta a qualidade do aprendizado, sub-roga lhe o direito de exigir que o aluno cumpra com seus deveres. Abstrai-se que a autonomia da criança é no máximo uma autonomia relativa e não o autonomismo da concepção anarquista de autonomia.
A indignação que molesta ao nosso ilustre pedagogo, também nos corrompe as entranhas. Maltrata a todas as pessoas sensatas desta terra. Mas ao homem de ciência, ao professor cabe por de lado sua revolta por um instante e usar a razão para encontrar a solução que ponha fim aos nossos dramas sem cometer o desatino de aumentar a injustiça. Ao homem de brio e coragem compete não esmolar seus direitos nem fugir à luta ainda que armada para defender sua gente, mas não lhe ajusta bem preferir culpar o mais fraco a enfrentar o mais forte. A inteligência e a valentia derrubam muralhas, mas a covardia e a lamentação somente perpetuam as misérias.
O grande mal da filosofia anarquista reside na mentira, na falácia e na covardia. Está em não assumir frontalmente sua posição. Está em pregar uma tese e praticar outra. Renegam a ética, mas falam em nome dela. Condenam a moral, mas acenam ao povo com ela. E Paulo Freire não foge a regra. Os anarquistas se dizem porta vozes do bem, mas se dedicam a desconstruir os valores intocáveis da sociedade, inclusive o bem. Pior que perder numa luta armada é perder neste embate intelectual. Permitindo que os anarquistas transformem nossos valores morais em moralismo, nossa pureza em puritanismo, pervertendo a ordem de tudo e tornando pejorativos todos os valores que antes considerávamos sagrados, tornando a honra de ser um professor na vergonha de ser um mestre. A grande missão de Paulo Freire se resume em denegrir ao máximo a imagem do professor e destruir a educação neste país. Embora acene com a bandeira da piedade e da defesa do oprimido, na verdade condena o povo brasileiro a uma ignorância ainda pior do que a que tínhamos antes. Em suas dezenas de páginas de falácias, sofismas e utopias não há uma única linha que possa ser comprovada em laboratório. A única comprovação empírica de sua teoria é a de que ela não funciona.
Não é possível ao sujeito ético viver sem estar permanentemente exposto á transgressão da ética. Uma de nossas brigas na História, por isso mesmo, é exatamente esta: fazer tudo o que possamos em favor da eticidade, sem cair no moralismo hipócrita, ao gosto reconhecidamente farisaico. Mas, faz parte igualmente desta luta pela eticidade recusar, com segurança, as críticas que vêem na defesa da ética, precisamente a expressão daquele moralismo criticado. Em mim a defesa da ética jamais significou sua distorção ou negação._ Paulo Freire: Pedagogia da Autonomia

Não Há Docência Sem Discência
 
O texto prolixo e enfadonho do autor tenta demonstrar a partir de premissas hipotéticas que o improvável é possível, contestando toda a história do conhecimento humano. O desenvolvimento científico da humanidade nada mais é que o resultado do conjunto, do acúmulo de conhecimentos adquiridos, aprimorados e transferidos de uma geração para outra desde que o primeiro homem aprendeu a dominar o fogo e talvez antes disto. Renegar esta herança “bancária” é insana ingratidão ao esforço de tantas mentes brilhantes que dedicaram suas vidas a produzir este patrimônio que tem livrado tantas vidas da fome, de doenças, do desemprego e da ignorância.
Se for verdade que em tudo há uma dualidade, se para cada carga positiva houver outra negativa, também para o professor arrogante que tudo sabe, se contrapõe o estudante arrogante que não aceita a própria ignorância, nem a sabedoria do mestre perpetuando o seu não saber.
Acreditar que o professor não é capaz de analisar e entender a capacidade ou dificuldade de aprender que cada aluno tem é antes de tudo subestimar a inteligência e a autonomia do educador, subestimar a sua competência em gerenciar o aprendizado de cada estudante. Nenhum professor tem uma fórmula única e universal aplicável a todo estudante, o professor é inteligente o bastante para identificar e adaptar sua pedagogia a cada caso. Para conhecer o histórico de cada estudante, sua vida pregressa, seus hábitos, costumes e padrões de comportamentos para melhor adequar o método de ensino, o professor não precisa abdicar de seu próprio histórico de vida e se igualar a um neófito, prática na verdade, impossível de ser experimentada. O cientista ao excluir hipoteticamente de sua mente as verdades conhecidas sobre um evento a fim de tornar-se apto para novas descobertas sobre um fato não precisa abdicar de todo o seu conhecimento científico e comportar-se como se de nada soubesse.
O professor ao estudar a melhor maneira de ensinar um determinado aluno, não se torna um discípulo dele, assim como o astrônomo que estuda uma estrela não se torna um astro. A relação dinâmica entre professor e discípulo não se altera, a força que impulsiona a criatividade do aluno e amplia seu campo de conhecimento ainda parte do professor.
O conceito “freiriano” de que o aprendiz se torna o mestre de seu professor e de que o professor é o aprendiz de seu próprio discípulo não tem fundamento científico e é um desserviço à educação brasileira. Serve apenas para exaltar a arrogância dos ignorantes e dos preguiçosos que acreditam que nada mais têm para aprender ou ensinar.
Se antes o professor errava ao não demonstrar a utilidade prática do conhecimento, como ferramenta de uso diário, Paulo Freire e seus seguidores erram ao tentar demonstrar a inutilidade do conhecimento.
Se, na experiência de minha formação, que deve ser permanente, começo por aceitar que o formador é o sujeito em relação a quem me considero o objeto, que ele é o sujeito que me forma e eu, o objeto por ele formado, me considero como um paciente que recebe os conhecimentos-conteúdos- acumulados pelo sujeito que sabe e que são a mim transferidos. Nesta forma de compreender e de viver o processo formador, eu, objeto agora, terei a possibilidade, amanhã, de me tornar o falso sujeito da “formação” do futuro objeto de meu ato formador._ Paulo Freire: Pedagogia da Autonomia

Ensinar Exige Rigorosidade Metódica
Paulo Freire se assume um filósofo político de pensamento ingênuo e simplista diante de um drama complexo e arguto. O Brasil é um país medieval construído com blocos de ilusão e cercado por uma muralha de mentiras que se estende até nós desde o início do povoamento desta terra. E para desvendar as tramas de nossa história um pensamento simplista e ingênuo não basta.  A indignação de nosso revoltado pedagogo é justa, mas sua argumentação não é justa nem correta. Para compreender o sistema educacional e o método de ensino aplicado no Brasil temos que voltar ao tempo dos avós de nossos bisavós e compreender o sistema de dominação política implantado em nossa terra. E para iniciar nossa meditação basta lembrar que a revolução industrial ocorrida no século XVIII somente chegou ao Brasil no século XX. Que no Brasil a primeira universidade surgiu somente quando na Europa já se haviam abandonado a força dos cavalos pelos cavalos de força, já se falavam em direitos trabalhistas, movimento feminista e se discutia o trabalho infantil. Por que razão as Luzes do Iluminismo demoraram tanto para cruzar o atlântico?
As razões do exílio do nosso intelecto, da blindagem de nossa capacidade cognitiva vão além de um  isolamento cultural e geográfico. Estamos a mais de meio século de distância do mundo moderno e civilizado, mas somos incapazes de ver esta realidade, ainda que de perto, pois não conseguimos até hoje romper a muralha de ilusão e mentira que embora nos cerque, está dentro de cada um de nós.
O ensino no Brasil nunca teve a preocupação de desenvolver a percepção cognitiva das pessoas, a perspicácia, ou aprimorar a faculdade pela qual as impressões recebidas pelos sentidos se tornam inteligíveis, a preocupação de aperfeiçoar a capacidade de resolver situações problemáticas novas mediante a reestruturação dos dados perceptivos. Muito menos o interesse de demonstrar ao aluno a verdadeira função do conhecimento que é de criar e modificar o ambiente ao seu redor em todos os seus aspectos. Jamais foi dito ao estudante brasileiro que o conhecimento por ele adquirido são simples ferramentas, como um martelo e um formão destinados a cunhar novos rumos em nossa história e em nossas vidas. Ferramentas a serem manipuladas pela imaginação na criação de novas idéias, novas políticas, novas invenções e novas riquezas, uma nova estrutura social.
Até nos dias de hoje a lei brasileira deixa claro que o único papel da educação é fornecer o conhecimento mínimo para que o trabalhador possa executar sua função e nada mais. Os currículos das escolas e das universidades brasileiras são elaborados para atender às necessidades de mão de obra da empresa mais próxima e não aos interesses nacionais, da sociedade ou do cidadão. Antes da industrialização as regiões agrícolas e pecuárias nem mesmo escolas tinham, exatamente, por não haver a necessidade de que o trabalhador braçal sequer soubesse ler. E ainda hoje a mesma situação ocorre em muitas regiões distantes do país. O Brasil é um país oligárquico, controlado por uma minoria de pessoas que vê na difusão do conhecimento o risco de perder o monopólio do poder e das riquezas da nação. Atitude típica das pessoas que reconhecem ter uma inteligência limitada e temem a concorrência dos que são mais competentes. Infelizmente nossos dirigentes não têm o conhecimento, detém o conhecimento. Quem tem conhecimento não procura emprego, emprega o que sabe. E esta é a ameaça mais temida por aquele que só sabem sobreviver num mercado cercado pelo protecionismo e por monopólios familiares. Um estudante bem instruído pode iniciar sua própria indústria, ter seu próprio banco, um canal de televisão melhor, seu próprio jornal, ou tornar-se um líder político bem sucedido. Almejar os cargos vitalícios e privativos de algumas classes e tornar-se uma ameaça ao monopólio do poder privado das famílias que governam este país por séculos a fio.
Alguém que saiba o verdadeiro significado metafísico dos radicais greco-latinos que nos governam pode começar a contestar a validade das leis medievais que nos limitam. Ou mesmo recusar a validade de uma eleição eletrônica que não dá recibo.
A ilusão tem sido a ferramenta utilizada para perpetuar o exílio da intelecção brasileira. Sem saber do que se passa do outro lado da fronteira, o povo brasileiro ao longo de sua história tem tido como única fonte de formação de suas convicções o que lhe é transmitido pelas elites dominantes, que lhe sonegam alguns fatos e deturpam outros induzindo o povo a ter opiniões definitivas sobre fatos que empiricamente desconhece. Em geral exaltando a grandeza e superioridade da nação brasileira, nação que de tudo tem e de nada precisa. O brasileiro aprende desde pequeno a ter orgulho de ter ou ser o maior do mundo e isto basta. Ter o maior rebanho do mundo, a maior produção agrícola do mundo, o maior rio do mundo, a maior jazida do mundo, ter a maior hidrelétrica do mundo lhe satisfaz o ego. Um país onde não tem guerras, terremotos, vulcões, onde em se plantando tudo dá. Que tem o melhor povo do mundo. Sua grandeza é tamanha que nem se lembram da fome, da miséria, que não têm casa, terra, emprego, renda, hospitais, estradas, escolas e de que nada têm em troca dos impostos que pagam. A grandeza do povo é tanta que vivem penalizados com o padecimento de suíços, americanos, ingleses, canadenses que não têm a mesma sorte que o povo brasileiro tem por ter uma terra tão rica. Embora nunca tenham saído daqui têm a certeza de que nenhum país do mundo é melhor e mais bonito que o nosso. O povo brasileiro critica a frieza que ele acha que os americanos têm e se ilude com a crença de ser um povo pacífico, caloroso, amoroso, amável, sem nunca enxergar o quanto é rude, violento e insensível. O sangue jorra ao seu redor e ele não vê. A fome está do outro lado da janela e ele não sente. Amar é uma atitude, não um verbo.    
Na maioria dos principais países do mundo existem colônias antigas de imigrantes de diversas partes do mundo, mas as colônias de brasileiros nestes países além de muito pequenas são recém formadas. O êxodo de brasileiros para além de nossas fronteiras teve início nos anos 80, portanto nossa fonte de informações confiáveis ainda é pequena, recente e desorganizada.  
Óbvio está que não interessa ao governo brasileiro que o povo aprenda a questionar por que o dinheiro do povo financia a custo zero uma produção de alimentos que não vai parar na mesa do povo brasileiro, ou por que pagamos preços tão altos por serviços essências construídos com o dinheiro público, dentre as tantas indagações que um povo escolarizado faria.
Claro está que a péssima qualidade do ensino no Brasil, ainda hoje atende a interesses muito maiores do que aqueles que podemos discorrer em uma análise simples e curta.
Ao professor compete elucidar estas causas e encontrar as soluções possíveis. Ante a complexidade das razões que degeneram a educação em nosso país torna-se inconcebível que o professor abdique de seu posto de comandante na sala de aula e da transformação que o país precisa.

Professor.: Robson Ramos  

 


 


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