sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O Pedagogismo Da Filosofia Pedagógica Anárquica Dominante

O povo brasileiro alijado do conhecimento e da informação por séculos a fio viu-se de repente, e à sua revelia, transformado em um ratinho de laboratório para a implantação de conceitos filosóficos, nunca antes testados e nascidos da desilusão e dos traumas pessoais de seus autores, que transformaram sua boa intenção em mais um pesadelo para nosso povo.
O povo brasileiro está tecnicamente incapacitado para a discussão de conceitos filosóficos, e a implantação de um modelo anárquico de cima para baixo nada mais é que a repetição da opressão tão condenada pelos próprios anarquistas. Para nós - o povo - simplesmente trocamos um opressor reconhecido pela farda por outro que se esconde no anonimato das idéias.
O ideal socialista levado ao extremo, a democracia radical e a anarquia como negação da autoridade e da coação estatal pressupõe a existência de um povo tão evoluído quanto uma comunidade de anjos no céu. Implantá-los integralmente em uma comunidade cuja civilidade beira a barbárie é um incentivo à criminalidade, à violência e à desordem. É a implantação da lei do mais forte e da extinção da civilização. Ante esta consideração resta-nos outra dualidade: ou estamos diante de uma ingenuidade imensurável ou estamos diante de uma má-fé colossal, pois a lei do mais inteligente também constrói fortunas rápidas e misérias extremas.
A Pedagogia Crítica - fundada em bases marxistas e no pós-marxismo, na Democracia Radical, no Feminismo, na Anarquia e em outros movimentos que clamam por justiça social – condena a educação clássica que “desamparou” os mais pobres e prega um sistema onde o mestre se iguala ao discípulo num suposto aprendizado e reaprendizado mútuo. Onde o professor tem muito mais a aprender e o aluno muito mais a ensinar. Igualando e revertendo a hierarquia e a ordem. Uma filosofia que define como “moderno” aquilo que contraria a tradição.
Esta teoria, em tese aceitável quando se considera o ensinamento de adultos, processo conhecido como andragogia, é indiscriminadamente aplicada na pedagogia, na educação de crianças e adolescentes. Este novo sistema que carrega a paternidade do brasileiro Paulo Reglus Neves Freire - pernambucano nascido da pobreza e criado pela fome donde extraiu as bases de suas teorias pedagógicas e filosóficas – também defende a idéia de se construir o consenso entre os diferentes pontos de vista pela aceitação das diferenças e das minorias. Que os antagonismos e as opressões impostos pela sociedade precisam ser expostos, renegociados e alterados.
Prega o igualitarismo numa sociedade heterogênea. Protesta contra o colonialismo das nações desenvolvidas, mas prega um novo colonialismo, o das nações marxistas. Defende valores metafísicos idealmente perfeitos, mas que não obtiveram êxito nem na União Das Republicas Socialistas Soviéticas onde se tentou implantá-los. Esta nova luta de classes leva a dominação e supremacia de uma nova minoria, mas nunca a uma justiça social que satisfaça a maioria. Esta imposição das diferenças já ocorreu no passado e deu origens às minorias reais e nobres se opondo a uma maioria de plebeus e escravos. Este mito já justificou a aristocracia, a oligarquia, as castas, o nazismo, a hereditariedade, o monopólio, o senhorio e outras formas de estratificação social. É a implantação do sistema de governo das Minorias Dominantes muito comuns nos territórios africanos onde as populações são formadas por muitas etnias.
O concreto é que a história já demonstrou que nenhuma filosofia que pregue a divisão de um povo em grupos sociais privilegiados pela raça, religião, nações ou repartidos de qualquer outra forma tinha de fato boa intenção.
No Brasil, já fez história a prática de realçar os privilégios e a impunidade das classes que se intitulam fracas ou mais importantes e por isso são minorias que precisam ser protegidas por garantias legais e políticas que lhes assegurem vitaliciedade, aposentadorias especiais, foro privilegiado, reserva de mercado, isenção de impostos, imunidades etc.
O termo anarquismo vem do grego “an (sem) + archê (soberano, majestade) + ismo” significando sem regras.  A anarquia aqui implantada é um sistema individualista onde todos são livres para fazerem o que quiserem, sem qualquer respeito ao próximo. Não se trata da incitação à desobediência coletiva a um comando injusto do soberano, mas de um retorno ao “estado de natureza – descrito por Tomás de Aquino como sinônimo de “anarquia” ou o “estado de guerra” definido por Thomas Hobbes - onde todo homem fica livre para fazer o que quiser sem se importar com o direito alheio, abolindo a ética, a moral e a religião, dissipando o amor pelo próximo e desprestigiando as entidades sagradas, como Deus, Pátria, Pai, Mãe, Mestre, Moral, Gerontolatria, Virtude etc. Em oposição ao “estado de natureza descrito pelo cristão John Loke: “O estado de natureza tem a lei natural para governá-lo e esta lei é a Razão. E a Razão ensina que nenhum homem pode atingir o outro em sua vida, saúde, liberdade ou posse”. A anarquia no céu é um caso a se pensar, mas a anarquia implantada no inferno, nem o capeta aguenta. Em verdade, se implantada no céu sempre haveria a anjo para contestar a autoridade de Deus. 
. Nunca um anarquista ao assumir o governo, instituiu a extinção de seu próprio poder, pelo contrário o fortaleceu. O sistema anárquico nunca foi além de um discurso que termina aonde à conveniência interessa.
A Social Anarquia que assumiu o governo com a saída estratégica dos militares, não implantou qualquer medida que extinguisse a Democracia Totalitária que nos governa desde antes dos tempos da ditadura - neste tipo de democracia o poder do povo se extingue ao por o voto na urna, elegendo seus representantes totalitários que nenhuma satisfação devem aos seus eleitores - pelo contrário, deturpou o significado dos termos plebiscito e referendo inseridos na Constituição, anulando-os. Não impôs a eleição direta para o poder judiciário nem a ampliação dos poderes do júri, o judiciário continua com a mesma estrutura corporativa e autárquica que tinha nos tempos do Império. Não extinguiu as desigualdades jurídicas que nos governam há séculos nem extinguiu o injusto e secular corporativismo da OAB no país. A anarquia por eles defendida reduz-se à preservação da impunidade que sempre reinou nesta terra. Resume-se ao combate da coerção do Estado nos campos que lhes interessam, mas preserva a supremacia de um Estado Absoluto onde o povo nada pode.
O governo brasileiro jamais investiu seriamente na educação de modo a fazer o povo entender que o conhecimento é uma ferramenta que transforma o ambiente, trás soluções para nossos problemas e riquezas para o nosso país. Mas os poucos que estudavam tinham conhecimento, mesmo que não tivessem aprendido a fazer uso dele. Daí a escassez de cientistas no país. O único inventor brasileiro reconhecido e aplaudido ainda é o Santos Dumont, mas não ressaltamos em nossa versão da história que sua obra foi feita na França, com conhecimento francês, investimento francês e que o primeiro vôo do 14 BIS foi ao redor da torre Eiffel e não ao redor do Corcovado. Daí nossa carência de ídolos no campo do conhecimento muitas vezes nos levar a enaltecer o esforço do brasileiro que se destaque pela suposta criação de uma ciência sem mesmo analisar se ela nos é útil ou não.      
Enquanto são registradas centenas de patentes por mês nos países desenvolvidos onde o ensino clássico predomina, esta pedagogia utópica apenas tem produzido o analfabetismo, inclusive nos grupos que antes sabiam ler. Na prática, esta pedagogia dita moderna beneficia apenas aos ricos que não fazem uso dela para aprender.
O sistema de ensino defendido por Paulo Freire é fruto de uma cultura mendicante daqueles que não aprenderam a lutar e obter sucesso pelo mérito da inteligência ou da bravura. Fruto de uma secular submissão às arrogâncias da realeza onde até as obrigações do Estado são vistas como esmolas. Nasce assim seu combate à opressão pela transformação do Estado Déspota em Estado Misericordioso. Onde o estudante é promovido não pela competência, mas pela piedade. Onde não se exige do suplicante qualquer esforço em troca da oportunidade, sem se levar em conta que em razão da diversidade natural muitos não farão jus a ela, desperdiçando o tempo e o dinheiro do Estado. Nem todos têm o caráter, a força de vontade e a obstinação do autor Paulo Freire a ponto de transformar a oportunidade em sucesso. Que se dê uma oportunidade a quem merece ninguém contesta, isto é um dever do Estado que existe exatamente para isto. Mas desperdiçar as pérolas com os porcos também não é uma atitude inteligente.        
A filosofia “freiriana” é muito mais a manifestação e a condensação de suas revoltas e traumas pessoais que um processo pedagógico de caráter científico e de aplicação geral. Do ponto de vista humanístico e sentimental; louvável e merecedor dos títulos e respeito que tem, por acordar o Estado brasileiro, soberano, despótico, impiedoso e cruel. Habitado por uma elite mercenária, egoísta, sovina, intransigente, soberba. Um Estado criado para servir-se do povo.
Mas o futuro de uma nação não pode ser decidido de maneira tão leviana. Não se pode trocar um absolutismo por outro. A pedagogia do oprimido, elogiável enquanto filantrópica, deve ser contestada enquanto anárquica, pois impõe ao povo conceitos alheios à sua cultura em vez de criar um sistema autêntico que trate do interesse de nosso país segundo a nossa ótica e necessidade, sem importar soluções já fracassadas em seus países de origem.
Paulo Freire (1921-1997) protesta contra a atitude do antigo sistema de ensino que vê o aluno como um depósito de informações, uma conta bancária vazia a ser preenchida pelo professor. Em sua visão isto transforma o estudante em um simples aparelho receptor. Tende a controlar seus pensamentos e ações induzindo-o a ajustar-se ao mundo em que vive, inibindo sua capacidade criativa. Esta concepção já havia sido explorada por Rousseau (1762) quando havia explanado sua tese sobre a criança enquanto tábula rasa - estado de vazio total, que caracteriza a mente antes de qualquer experiência -. Adicionalmente, pensadores como John Dewey (1897), faziam uma vigorosa crítica à idéia de que o objetivo da educação fosse simplesmente uma transmissão de fatos. Dewey concebia a educação como um mecanismo de transformação e reconstrução social. O trabalho de Paulo Freire atualizou estes conceitos de acordo com as doutrinas e teoria educacionais de seu tempo dando origem a hoje denominada Pedagogia Crítica.
Mas o que o senhor Paulo Freire deixou de observar é que no Brasil a educação sempre foi muito mais uma questão de controle político do que uma questão pedagógica. A quantidade de inventores no país é tão diminuta quanto desconhecida, pois nunca houve o interesse das classes dominantes de que o estudante fosse informado de que o conhecimento tem por fim a produção de utilidades e a reformulação da estrutura social. Esta afirmativa fica evidente quando se observa que a quantidade de escolas no campo historicamente sempre foi menor que a necessária, a ponto de a maioria da população sequer saber falar corretamente a própria língua. São como estrangeiros na própria terra. Para os governantes brasileiros nunca foi importante que o trabalhador braçal soletrasse e reconhecesse a diferença entre cidadania e nacionalidade. Nos últimos quinhentos anos os poucos que tiveram acesso às escolas nunca souberam o que fazer com o conhecimento que adquiriram. Para a Classe Dominante, era suficiente que o ensino tornasse os estudantes da cidade aptos para o trabalho. E a lei da educação atual em nada difere da ideologia do passado, também prioriza tornar o indivíduo simplesmente apto para o trabalho.
Em nosso país até mesmo a concorrência estrangeira foi cerceada com a escusa de proteger a indústria nacional, mas na verdade, o propósito era garantir o monopólio do produtor nacional. Monopólio do conhecimento e da produção.
Evidentemente não interessava então que o estudante se tornasse apto a inventar e fabricar um produto capaz de competir por um mercado tradicional e hereditariamente controlado pelas tais famílias quatrocentonas. Ou aptos a questionar os centenários privilégios legais, políticos e fiscais concedidos a algumas classes e grupos sociais.
Ainda hoje o governo dedica o orçamento e o currículo da educação para preparar mão de obra suficiente para suprir as necessidades da empresa vizinha da escola, sem se importar com a utilidade daquele treinamento para o estudante, caso não consiga uma colocação naquela empresa.
O sistema de ensino clássico e tradicional só precisava ser completado e não descartado. Hoje nem temos um sistema ruim nem temos nada. A escola que já vendeu o glamour do papel de parede hoje se tornou, mais do que nunca, uma indústria de venda de permissão de trabalho. 
Como se vê o problema da educação no Brasil ultrapassa os limites de uma simples pedagogia. Tanto quanto o sistema pedagógico de Paulo Freire vai além do que pretende um método de ensino. Instalando um sistema político caótico de divisão de classes, famílias e pessoas que os intelectuais deveriam combater e não incentivar e que em nada contribui para melhorar a qualidade do ensino no país. Mas se considerarmos o nosso caos como a cosmogonia que precede a criação do universo brasileiro, ainda vale a pena enfrentar este dragão que nos atormenta. É preciso crer que das trevas em que vive nosso sistema educacional e político nascerá uma luz.
O Brasil é um país onde as leis são feitas para atender os interesses de pequenos grupos, - as eternas minorias - já temos divisão de classes o bastante. O que precisamos é de um país universal, onde tudo seja para todos: o saber, a riqueza e inclusive as leis, o respeito, os privilégios e os castigos.

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