sábado, 6 de agosto de 2011

Pátria Desalmada. Salve. Salve-se!


E quanta coisa mudou neste país desde o descobrimento. Antigamente, enquanto os senhores de engenho se refestelavam com o que houvesse de melhor, aos escravos eram dadas as sobras de onde o brasileiro orgulhosamente extraiu a famosa feijoada. Hoje os melhores produtos são exportados para o “Primeiro Mundo” ficando para o povo os produtos de pior qualidade. Basta darmos uma volta pelos supermercados brasileiros para constatarmos a escassez na variedade e quantidade dos alimentos bem como a má qualidade de carnes, pescados, laticínios, verduras, legumes e outros itens, expostos ao consumidor sem o menor cuidado com a preservação. Mas o brasileiro, de tão acostumado a ficar com as sobras, sequer têm consciência disto, não sabe o quanto as coisas são diferentes nos países onde os dirigentes governam para promover o bem estar do povo, em vez de disseminar a eterna desigualdade que construiu nossa história.
Para entendermos porque este país não dá certo por mais que nos esforcemos, temos que dar um mergulho em nosso passado com olhos críticos e sem paternalismo. Não bastasse nosso isolamento geográfico no planeta, também fomos impedidos de obter informações sobre como as coisas acontecem em outros países.
Durante a ditadura militar o mercado brasileiro ficou fechado a todo tipo de importação, numa tentativa fracassada de proteger o incompetente produtor nacional. Após tanta proteção, no mínimo o que se esperava era que o Brasil fosse capaz de produzir alimentos de ótima qualidade e em quantidade suficiente para abastecer o mercado interno e ainda exportar o excedente, cumprindo a determinação constitucional de que a propriedade tenha um fim social. No entanto o que vemos hoje são nutricionistas distribuindo receitas de como preparar as cascas dos alimentos, enquanto a televisão insiste em mostrar aos incautos o quanto os mendigos têm melhorado de vida, por se reunirem em cooperativas, exibindo vaidosamente pessoas revirando os “lixões mais ricos do mundo” em busca de alimento. E o povo ainda bate no peito cheio de orgulho e ignorância, bradando!
_ “Este é o melhor lugar do mundo pra se viver”. Na verdade, o brasileiro sequer conhece os limites de sua própria fronteira. Como pode saber então, que este é o melhor lugar do mundo pra se viver, se nem sabe como vivem as pessoas lá fora.
Sitiado a beira do Atlântico, o brasileiro está isolado do mundo. Longe da Europa, da América do Norte e da Ásia, está também separado de seus vizinhos hispânicos, que habitam as margens do pacífico, por uma floresta intransponível, sem estradas ou aeroportos e fala um idioma que o mundo civilizado desconhece. O país que se intitula o celeiro do mundo não é capaz de produzir alimento bom e barato sequer para seu próprio povo.
Enquanto os colonizadores da América do Norte abdicaram de sua cidadania britânica e se mudaram para o novo continente, para ali construir uma nova pátria, colonizando o país por inteiro, planejando a ocupação da terra, o crescimento e se preparando para o futuro investindo em escolas boas e universidades ao alcance de todos. Nossos colonizadores aqui chegaram com o propósito de explorar tudo que pudessem. Enriquecer e voltar para sua terra natal. Daí, terem se estabelecido a beira mar, sempre aguardando pela próxima caravela que os levassem de volta para o Velho Mundo.
E nada mudou. O povo brasileiro continua vivendo em favelas a beira do oceano, esperando sabe-se lá o que. Mas com uma arrogância imutável brada orgulhosamente - “Somos os Maiores do Mundo”.
Porém, nunca assumiu a posse da terra, investindo em escolas e na infra-estrutura necessária para que o desenvolvimento e o progresso chegassem a todos de fato e não como um boato espalhado pela mídia caçadora de votos e bajuladora do poderoso de plantão.
De que adianta termos por aqui o rei da soja, o rei do gado e o rei do petróleo se o povo passa fome. De que adianta termos a maior Produtora de Petróleo do mundo se esta riqueza jamais construiu um único hospital, uma escola que seja, ou sequer construiu uma estrada. De que adianta termos a maior jazida de ferro do mundo se em nada melhorou a vida das pessoas desta terra. De que adianta termos as melhores leis do mundo, como vaidosamente alardeiam os juristas desta terra, se a justiça não é para todos. De que adianta sermos um dos países mais ricos do mundo, se estamos entre os povos mais miseráveis do planeta. Para que tanto orgulho de ser brasileiro? Para que tanta arrogância, quando deveríamos ter vergonha! E pensar que se um dia o Paraguai invadir esta terra os pobres é que serão convocados para defender a pátria desalmada.
A parte continental do Brasil, jamais foi habitada e o lado litorâneo, onde o brasileiro vive nunca teve dono. O Brasil sempre foi uma terra de ninguém. Ainda hoje as pessoas não se importam se a coisa pública está sendo pichada ou pilhada, pois o Brasil ainda não pertence a ninguém.
As crianças brasileiras crescem aprendendo a odiar os americanos, aprendem que eles querem tomar "nossas" terras. Mas onde estão os americanos? Não se vê americano algum no congresso, no judiciário ou no executivo. Mas quantos árabes você conhece que são prefeitos, deputados, senadores, governadores, juízes, promotores etc. Mais fácil seria acreditar que os árabes controlam nosso país, pois estão infiltrados em todos os órgãos do Estado. São prefeitos, juízes, promotores, deputados, senadores, governadores, comerciantes e são donos dos canais de rádio e televisão que lavam os cérebros do povo brasileiro disseminando a ingratidão contra os americanos. Quem dera os americanos quisessem mesmo tomar conta desta terra que nunca foi nossa. Melhor seria ser dominado por um povo bem sucedido e responsável por todas as invenções que nos dão conforto, do que ser dominado por um povo que nada fez pela terra deles próprios.
O brasileiro foi incapaz de ocupar racionalmente a própria terra, distribuindo para todos um pedaço de oportunidade, ao passo que o colonizador americano, ao desembarcar numa terra de natureza extremamente hostil onde a neve e o deserto escaldante dividem o ano em duas metades, tratou de transformar o inferno num paraíso para todos os americanos, onde ninguém sente frio, calor, fome ou sede, pois todos possuem casas confortáveis que os protegem, onde não falta emprego ao povo e todos recebem salários dignos e têm as mesmas chances de progresso, onde as crises são passageiras e não um modo de vida. Impressiona ver como num país com condições geo-climáticas tão desfavoráveis, nada falta ao povo.
Por outro lado, a exemplo do que fizeram os portugueses saqueando a nova terra descoberta, o brasileiro rico cuidou de saquear as esperanças dos seus próprios irmãos, tomando para si imensas extensões de terras na costa continental, onde nada produziu, ou permitiu que outros o fizessem. Enquanto uma especulação imobiliária predadora dividiu a faixa litorânea em minúsculos lotes, sem qualquer planejamento ou estudo, semeando as bases para a proliferação da miséria que se derrama sobre as cidades brasileiras.
Num país com as dimensões do Brasil, não se justificam as construções grudadas parede com parede, e ruelas tão estreitas onde mal cabe uma carroça, como mostram as horrorosas construções hoje consideradas patrimônio histórico nacional. A meu ver estas ruínas deveriam ser de fato tombadas, demolidas e a ocupação do território refeita do modo que deveria ter sido desde o começo. Mas a ignorância que ainda governa o Brasil, jamais permitirá um recomeço. O modo como uma cidade é construída determina o quanto ela pode crescer, a quantidade de habitantes que pode abrigar e o número de empregos que pode gerar. Mas ainda hoje as cidades continuam se expandindo sem planejamento, sem que se reservem os espaços necessários a escolas, hospitais, lazer, comércio, indústria e demais benfeitorias e serviços públicos que geram emprego e conforto aos moradores de cada bairro. Em vez de adotarmos o modelo americano exocêntrico, de construção de cidades, onde o desenvolvimento acontece do centro para fora permitindo uma expansão organizada, onde cada bairro é uma mini-cidade, continuamos construindo cidades que crescem em direção ao centro, que é limitado e não pode expandir.
Desconhece o brasileiro que existem outras formas de se viver. Por estar isolado do resto do planeta, não tem como comparar o seu padrão de vida com o de outros povos. Acatando como verdadeiras as informações trazidas por turistas ou repórteres despreparados ou maldosos que passam alguns dias no exterior e voltam trazendo informações deturpadas. Por muito tempo acreditei que estas informações fossem propositadamente distorcidas, mas infelizmente, nem sempre são. Muitos realmente acreditam no que dizem, por pura burrice ou erro de interpretação. Afinal, eles também são brasileiros e agem como tal. Convencido de sua superioridade, o brasileiro não consegue enxergar a realidade, mesmo quando ela esta exposta diante de seus olhos. Ao desembarcar do avião num país estrangeiro, não consegue ver as enormes diferenças existentes entre as cidades construídas por lá e aberrações construídas por aqui.
Para se conhecer de verdade a cultura de outro povo é necessário viver naquele país por um longo tempo e interagir com os nativos como se um deles fosse, abdicando de sua própria cultura e crendices, assumindo o modo de vida, a visão e o pensamento do outro povo. Só então, ao retornar os olhos para o seu próprio país outra vez, poder-se há observar como o povo brasileiro e o Brasil realmente são.
Saberão que arroz e feijão não são a única comida a se por no prato. Embora a comunidade pseudo-científica brasileira divulgue na televisão que a combinação do arroz com o feijão substitui com perfeição o filé mignon, a lagosta e o caviar, nunca saberemos se a notícia é um marketing grotesco para vender arroz e feijão ou mais uma versão de manga com leite.
Nos tempos da escravidão, os especialistas da época também divulgavam que leite com manga fazia mal pra saúde. Hoje sabemos que o que realmente se pretendia era evitar que o escravo consumisse o leite das fazendas. Tristemente, a ignorância que ainda hoje caracteriza o povo brasileiro permite que ele seja governado por mensagens subliminares emitidas pelos meios de comunicação em massa, ávidos por induzir o povo a erro.
Antigamente, para fins de estatísticas, as classes sociais eram divididas em três, quais sejam; classes “A”, “B” e “C”. Com o aumento da concentração de renda nas mãos das pessoas mais ricas e o crescimento em volume da classe pobre, a inteligência nacional tratou de modificar os critérios de avaliação da pobreza. Sabedores de que o povo brasileiro fica mais feliz em saber que existe alguém em situação pior que a dele, do que em melhorar a própria vida, cuidaram de ampliar a divisão das classes para “A”, “B”, “C”, “D”, “E” e “F” em vez de expandir a economia e maximizar a distribuição das riquezas diminuindo a miséria. Assim o miserável da classe F sempre acreditará que melhorou de vida ao ser classificado como miserável da classe E. Bem como, os miseráveis das classes C e D poderão exibir seu ar de superioridade, desdenhando da desgraça dos que estão numa situação pior que a deles. Em vez de unirem-se todos ao redor de um interesse comum.
Para que o Brasil se torne o celeiro do mundo é necessário que o dinheiro arrecadado pelos impostos, seja visto nas ruas, no campo, nas escolas, hospitais, nos salários e na oferta de emprego e de oportunidades. Pois somente uma distribuição justa da renda erradicará a mendicância que já atinge até mesmo aos que estão empregados.
Um povo bem nutrido, bem educado e com alto poder aquisitivo pode por si só movimentar as engrenagens da economia e desenvolver setores econômicos do país até hoje inexplorados como o turismo e a ciência, por exemplo. Por outro lado a violência, a mendicância, as favelas, bem como casas e edifícios sujos e em frangalhos afugentam as pessoas normais prejudicando o desenvolvimento da indústria turística do Brasil.
A ciência também é um setor da economia que gera um volume de renda e emprego nunca experimentado pelos brasileiros. Mas somente um investimento sério na educação, com a contratação de professores estrangeiros e a construção de escolas e universidades que mereçam esta denominação tornaria possível isto acontecer. Evidentemente, teríamos que encontrar meios para driblar a resistência de professores medíocres formados por um sistema educacional falido, que se importam mais com seus empregos ou o estatus dos cargos de chefia do que com o progresso da nação. Um professor de verdade é antes de tudo um cientista, que encontra soluções para os problemas da sociedade, da rua, do bairro, da cidade, do estado e do país. Formando estudantes com as mesmas qualidades. Desenvolvendo tecnologias e elaborando os projetos necessários para o desenvolvimento da sociedade em vez de deixar o comando das cidades nas mãos de políticos inescrupulosos e incompetentes. Mas enquanto nossos professores universitários esperarem que um analfabeto da favela invente uma solução para a dengue, não teremos qualquer progresso.
A maioria do povo brasileiro é mal alimentada desde o nascimento e não tem qualquer formação escolar. O que lhe confere um subdesenvolvimento mental tão ínfimo, que nem sequer é capaz de entender a sua real situação, ou tem capacidade intelectual para argumentar suas razões. Evidentemente isto não aconteceu por acaso, aos ricos interessa que continue assim, deste modo se perpetuarão no poder como fazem há séculos. E o povo não terá jamais inteligência suficiente para questionar a supremacia deles. Por outro lado um povo bem alimentado, inteligente e bem educado requer muito mais esforço intelectual para ser dominado, pondo em risco a supremacia de uma casta dominante incapaz de suportar uma concorrência.
Infelizmente nossas escolas foram arruinadas por uma ditadura militar e arrasadas por uma falsa democracia construída por vândalos. Enquanto os militares retiraram do currículo escolar o seu conteúdo, desviando da escola sua função de formar cidadãos conscientes de seus direitos e deveres, além de profissionais criativos. Os vândalos que os substituíram, desviam as verbas que deveriam ser aplicadas nas escolas. E difundem perniciosas filosofias de ensino e de vida que pioram o caráter das pessoas. Sistemas educacionais importados são aplicados de forma deturpada garantindo a má formação dos estudantes e o monopólio do saber nas mãos da casta dominante que envia seus filhos para estudar no exterior.
A miséria, o desemprego, a violência e nosso subdesenvolvimento humano e tecnológico têm como principal coluna de sustentação a falta de investimento sério na educação. A falta de seriedade, sem dúvida começa por colocar o dinheiro disponível nas mãos de pessoas não qualificadas a elaborar um projeto sólido, verdadeiro, de abrangência nacional, mas sim interessadas em beneficiar a si próprios direta ou indiretamente e a amigos na hora de aplicar a verba.
É comum vermos vereadores que mal sabem escrever usarem a verba da educação como trampolim político para reeleição. O Ministério da Educação deveria assumir para si este projeto e contratar pessoas qualificadas para elaborar e executar tal projeto em cada cidade brasileira. Ainda que tivesse que buscar no exterior um administrador de cidades, um profissional melhor preparado e cuja formação universitária tenha exatamente este escopo. A exemplo do que fazem os clubes de futebol estrangeiros contratando nossos melhores atletas para reforçar seus clubes, também nós, deveríamos deixar de lado nossa prepotência e contratar lá fora profissionais para administrar e executar a tarefa, em vez de entregá-la nas mãos de amadores despreparados, para dizer o mínimo, que gastam mau o dinheiro público.
A educação no Brasil passou por um processo de desintegração tão grande que hoje sequer temos professores aptos a restaurar o estrago feito pelos militares que governaram esta terra e pelos vândalos que os sucederam. A educação que antes era razoável, mas para poucos, agora é péssima e para todos. Chegamos a ponto de ver pessoas semi-alfabetizadas ministrando em garagens cursinhos de empacotador de super mercado e denominando a isto de qualificação profissional. Mas não paramos por ai. Centenas de edificações que em pouco diferem destas garagens ganharam o titulo de universidades e estão autorizadas pelo Ministério da Educação a distribuir diplomas e títulos de doutorado a qualquer um que por ele possa pagar. O governo em vez de desenvolver escolas adequadas para educar correta e gratuitamente a população, criou cursinhos, como o MOBRAL e supletivos do primeiro, segundo e terceiro graus, que tornaram formalmente uma horda de analfabetos em doutores. Hoje, estes são os intelectuais que temos para construir uma nova pátria.
Quando se tem um povo sem inteligência e com má formação escolar fica fácil convencê-los de que pau é pedra. Assim democracia e liberdade passaram a ser sinônimos de desordem e impunidade.
A democracia brasileira em muito se assemelha à independência do Brasil. Com o suposto grito do Ipiranga a coroa foi transferida pelo rei D. João ao seu filho o Príncipe D. Pedro, ou seja, trocamos seis por meia dúzia, e fomos para a rua fazer festa. Da mesma forma, o movimento “DIRETAS JÁ”, que restaurou a democracia brasileira, manteve no poder todos os que já governavam antes, acrescidos de meia dúzia de falsos exilados, filhos de coronéis e que estudavam no exterior e que jamais pegaram em armas, além de preservar vigentes e intocadas leis que nos governam desde a época do império. Ou seja, trocamos novamente um seis por outra meia dúzia e lá fomos nós outra vez para as ruas festejar.
Os brasileiros que realmente lutaram e morreram pela instalação de uma democracia verdadeira neste país continuam sem qualquer tipo de reconhecimento por parte do povo. Mas um povo que acredita que vale mais um covarde vivo que um valente morto, jamais honrará a memória daqueles que realmente tentaram mudar a nossa história e nem será digno de uma democracia verdadeira. 

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