domingo, 6 de novembro de 2011

O Alicerce da Impunidade.



Seguindo a tradição brasileira de comprar o produto pela fama da etiqueta vamos analisar o pensamento de David Émile Durkheim, um dos maiores expoentes das ciências sociais e considerado o fundador de uma das correntes da sociologia. E conforme a prática anarquista de desconstrução de valores, vamos fazê-los experimentar do próprio remédio.
Quando uma filosofia se torna soberana ela também se torna tirana.  O anarquismo que prega o fim da soberania, contraditoriamente se torna a soberana do anarquista.
Esta filosofia ao impor que o indivíduo aja de acordo com seus instintos impede que o indivíduo pense no que realmente quer. O homem ao não aceitar um comportamento diverso daquele imposto pelo anarquismo torna-se escravo de seu egoísmo, não faz mais o que quer, mas o que lhe ordenam os mandamentos anarquistas. A anarquia contesta a interferência externa, ao mesmo tempo em que se impõe como tal. Se o neoanarquismo se impõe como regra em que somente as regras do sistema anárquico são válidas então não há mais o sistema sem regras. E teremos então a velha máxima: Rei morto, Rei posto.
Implantar esta anarquia radical no Brasil é como comprar carros da Rússia. Alguém lucrará com coisas obsoletas, mas o prejuízo terminará nas mãos do povo. É implantar o domínio do instinto animal pela aniquilação da razão.
Enquanto os teóricos brasileiros assistem de camarote a implantação experimental de uma teoria que radicalmente nunca foi testada nos seus países de origem, o sangue do povo jorra nas calçadas das cidades esperando que nossos cientistas de meia pataca reconheçam seus erros e desistam desta empreitada assassina, fria e cruel. Covardes, ocultos e incógnitos, transformam nossas ruas em Coliseus e abrigados em suas togas aplaudem aos leões e se apoderam das riquezas do país.
Isto posto faremos uma breve explanação sobre as obras de Durkheim e seu pensamento aparente para então mostrarmos suas incoerências e sub-reptício propósito. A narrativa que se segue não tem o caráter didático de explanar sobre a sociologia, ou sobre as obras de Durkheim, mas tão somente demonstrar sua influência na construção de conceitos que sustentam a impunidade e o crime no Brasil. 

Do Fato Social
Durkheim (1858-1917) é autor das obras “A Divisão do Trabalho na Sociedade” (1893), “As Regras do Método Sociológico” (1895), “Suicídio” (1897), “A Forma Elementar da Vida Religiosa” (1912), que marcaram sua proeminência no campo das ciências sociais.
A preocupação de Durkheim em suas obras foi descobrir como a sociedade poderia manter sua integridade na era moderna sem compartilhar uma religião em comum e sem que tivessem a mesma origem étnica. Com este propósito ele escreveu sobre leis, religião, educação e demais forças que conservavam a unidade da sociedade.
Seu estudo é interessante, mas fundamentado em afirmações enganosas. Partindo de falsas premissas extraiu conclusões que foram rechaçadas pelo mundo civilizado, mas radicalmente adotadas por gananciosos e pelos falsos profetas brasileiros, que tanto se apegam a fama da etiqueta.
Em que pese tenha desenvolvido a corrente funcionalista da sociologia, um método sistemático de estudo da sociedade, de descoberta da estrutura dos fatos sociais e suas funções, as suas conclusões precisam ser vistas com ressalvas. Não são raros os profetas que previram catástrofes que nunca se concretizaram, apenas serviram de mitos para justificar ações políticas e econômicas. A teoria malthusiana é um destes exemplos.  

Em “A Divisão do Trabalho Social” ele assume que o homem é intrinsecamente egoísta. Mas que as normas, crenças e valores sociais formam a base moral que mantém a coesão da sociedade. Esta base moral que mantém a unidade social, a integração social é denominada por ele de “Consciência Coletiva”. Que a consciência coletiva é o requisito sem o qual a sociedade não sobrevive. A consciência coletiva cria a sociedade e a mantém unida ao mesmo tempo em que os indivíduos geram a consciência coletiva através de suas ações. Afirma ele que na sociedade a totalidade das crenças e sentimentos comuns de seus membros forma um sistema determinado e com vida própria, a consciência comum. E que a parte emocional da consciência coletiva se sobrepõe ao nosso egoísmo particular.
Esta afirmação alicerçada em contradições, na verdade constroem as bases para a sedimentação do discurso anárquico que visa supostamente combater toda sorte de controle externo sobre o animus do indivíduo. Parte da premissa de que todo homem é egoísta e não explica como o conjunto destes egoísmos individuais constrói uma sociedade solidária e unida. Se a consciência coletiva é solidária e construída pela ação de cada um dos membros da sociedade, mais coerente seria supor que ela é a média das consciências solidárias individuais.
Fica evidente a incoerência de Durkheim quando afirma que um conjunto de pessoas egoístas tem com resultado uma sociedade solidária. Mais adiante ao se falar de fato social, fica a descoberto seu verdadeiro propósito anarquista de “desconstruir” as normas de conduta impostas pela sociedade, estabelecendo novas formas de controle sobre a sociedade.     

Definição de Fato Social     

Fato Social, na definição de Durkheim, é todo tipo de ação capaz de exercer no indivíduo um constrangimento externo ou todo modo de agir que se dissemina pela sociedade e que existe por si mesmo independentemente da manifestação do indivíduo. Este fato social é carregado de um poder de coação que pode controlar o comportamento do indivíduo.
O Fato Social, segundo Émile é um fenômeno que tem existência própria e externa ao homem; não depende da ação dos indivíduos que compõem a sociedade, mas têm uma força coercitiva sobre eles.
Em “As Regras do Método Sociológico" Durkheim define fato social: “Antes de entrarmos no método elaborado para o estudo dos fatos sociais, é importante saber quais fatos são normalmente chamados “sociais”. Esta informação se faz necessária porque a designação “social” é usada com pouca precisão. Ela é atualmente empregada para todos os fenômenos geralmente difundidos na sociedade, mesmo quando pequeno seu interesse social. Deste modo, existem eventos humanos que não devem ser classificados com “sociais”. Todo indivíduo bebe, dorme, come, raciocina e é do interesse da sociedade que estas funções sejam exercidas de maneira ordeira. Mas se todos estes fatos forem contados como fatos sociais, a sociologia não terá qualquer matéria exclusivamente sua e seu domínio será confundido com aqueles da biologia e da psicologia. 
Mas na realidade existe em toda sociedade um certo grupo de fenômenos os quais podem ser diferenciados daqueles estudados pelas outras ciências naturais. Quando eu cumpro minhas obrigações como irmão, marido ou cidadão, quando eu honro meus contratos, eu desempenho deveres os quais estão definidos (externamente a mim e aos meus atos) na lei e nos costumes. Mesmo que eles estejam de acordo com meus próprios sentimentos e eu sinta suas realidades subjetivamente esta realidade permanece ainda objetiva, porque eu não as criei; eu simplesmente as herdei através da minha educação. Quantas vezes acontece de ignorarmos os detalhes de uma obrigação a nós impostas e para nos adequarmos a elas precisamos consultar um advogado ou um interprete autorizado! Similarmente o membro de uma igreja encontra as crenças e práticas de sua vida religiosa já prontas ao nascer. A existência destas regras antes da sua própria existência demonstra que elas (as regras) são externas a ele (o crente). O sistema de sinais que eu uso para expressar meus pensamentos, o sistema de moedas que eu uso para pagar meus débitos, os instrumentos de créditos que eu utilizo em minhas relações comerciais, as práticas seguidas em minha profissão, etc., funcionam independentemente do meu próprio uso delas. E esta assertiva pode ser repetida para cada membro da sociedade. Segue então que existem modos de agir, pensar e sentir que apresentam a notável propriedade de existir fora da consciência do indivíduo. 
Estes tipos de condutas ou pensamentos não são apenas externos ao indivíduo, mas, ainda mais, são eivados de poder coercitivo, em virtude de que eles se impõem de per si ao indivíduo, independentemente de seu desejo (do indivíduo). Naturalmente, quando eu completamente consinto e me conformo a eles este constrangimento é sentido apenas superficialmente, se tanto, e nem mesmo necessário (ser sentido). Esta é uma característica intrínseca destes fatos, a prova é que isto se manifesta assim que eu tente resistir a isto. Se eu tento violar a lei, ela reage contra mim para impedir meu ato antes que ele aconteça, ou para anular minha violação pela reparação do dano, se possível o ressarcimento, ou sofrer as conseqüências se não for possível compensar de outra maneira.
No caso das máximas puramente morais; a consciência pública exerce uma fiscalização sobre todo ato que a ofende por meio da vigilância que ela exerce sobre a conduta dos cidadãos e da punição apropriada a sua disposição. 
Em muitos casos o constrangimento é menos violento, mas ainda assim sempre existe. Se eu não me submeto à convenção da sociedade, se minha roupa não está de acordo com o costume observado em meu país e em minha classe, sou ridicularizado, o isolamento social que provoco e no qual sou mantido, produz, embora de forma atenuada, o mesmo efeito que uma punição no sentido estrito da palavra. O constrangimento não é menos eficaz por ser indireto. Eu não sou obrigado a falar Francês com meus compatriotas ou usar a moeda corrente, mas eu não posso fazer de modo diferente. Se eu tentar fugir desta necessidade, minha tentativa falhará miseravelmente. Como um industrial, sou livre para aplicar os métodos tecnológicos do século passado, mas agindo assim, estarei certamente fazendo um convite à ruína. Mesmo quando me livro destas regras e as violo, sou sempre compelido a confrontá-las. Quando finalmente as supero, elas fazem seu poder de constranger ser suficientemente sentido pela resistência que elas oferecem. O empreendimento de todos os inovadores, incluindo os bem sucedidos, vão de encontro a este tipo de resistência. Eis então a categoria de fatos com características bem distintas: eles consistem em modos de agir, pensar e sentir, externos ao indivíduo e revestidos do poder de coação, razão pela qual o controla.
    Este modo de pensar não deve ser confundido com fenômenos biológicos, porque estes consistem de representações e ações; nem com fenômenos psicológicos, os quais existem apenas na consciência dos indivíduos e através dela. Eles constituem, então, uma nova variedade de fenômenos, e é para estes exclusivamente que o termo “social” deve ser aplicado. E este termo se encaixa neles muito bem, para estes (fenômenos) está claro que suas origens não estão no indivíduo, seu substrato não é outro que não a sociedade, tanto a sociedade política como um todo ou alguns de seus grupos parciais que a compõem, como denominações religiosas, políticas, literárias, associações ocupacionais, etc. Por outro lado, este termo “social” aplica-se a eles exclusivamente. Para este existe um significado distinto somente se ele (o fenômeno) designa exclusivamente um fenômeno que não foi incluído em nenhuma das categorias de fatos que já foram estabelecidos e classificados.
Este modo de pensar e agir é que se constitui o domínio próprio da sociologia. É verdade que quando nós os (fenômenos) definimos com a palavra ‘constranger’ nós corremos o risco de chocar os zelosos partidários do individualismo absoluto. Para aqueles que professam a completa autonomia do indivíduo, a dignidade do homem é diminuída quando se lhe demonstra que ele não tem completa autodeterminação. Hoje isto é geralmente aceito, sabemos que a maioria de nossas idéias e de nossas tendências não são desenvolvidas por nós mesmos, mas vêm até nós de fontes externas. Como podem elas se tornarem parte de nós, senão por se imporem a si mesmas sobre nós? Este é o inteiro teor de nossa definição e é geralmente aceita, principalmente porque constrangimento social não é necessariamente incompatível com personalidade individual.
Considerando que todos os exemplos que nós citamos acima (regulamentos legais e morais, fé religiosa, sistemas financeiros, etc.) consistem de crenças e práticas estabelecidas, alguém pode ser induzido a acreditar que fatos sociais existem somente onde há alguma organização social. Mas existem outros fatos sem esta forma cristalizada as quais têm a mesma objetividade e a mesma influência sobre o indivíduo.
Estes fatos são chamados “correntes sociais”. Deste modo os grandes movimentos de entusiasmo, indignação e solidariedade na multidão não se originam de nenhuma das consciências individuais particulares. Eles vêm até nós de uma fonte externa e nos carregam a nossa revelia. Naturalmente, pode ser que me entregando a eles sem reservas, eu não sinta a pressão que eles exercem sobre mim. Mas esta pressão é revelada assim que eu tente resistir.  
Deixe um indivíduo tentar se opor a uma destas manifestações coletivas, e as emoções que ele refuta se virarão contra ele. Agora, se este poder de coação externa, se estabelece claramente nos casos de resistência, isto precisa existir também no primeiro caso mencionado, embora não tenhamos consciência disto.
Nós somos então vítimas da ilusão de termos criado aquilo que nos força externamente. Mesmo que a complacência com a qual nós nos permitimos ser carregados adiante esconda a pressão implícita, nem assim esta pressão fica suprimida. O ar não é menos pesado porque nós não detectamos seu peso. Assim, mesmo que nós tenhamos espontaneamente contribuído para a produção da emoção comum, a impressão que recebemos difere acentuadamente daquela que teríamos se estivéssemos sozinhos. Além de que, assim que a multidão tenha se dispersado, assim que a influência social sobre nós tenha cessado, e ficamos sozinhos novamente, as emoções pelas quais tínhamos passado nos parecem estranhas e não as reconhecemos como nossas. Percebemos que estes sentimentos são muito mais impregnados em nós do que criados por nós mesmos. Pode ser até que eles nos horrorizem por ser contrários à nossa natureza. Mesmo um grupo de pessoas que sejam em sua maioria totalmente inofensivas, podem elas quando envolvidas por uma multidão ser induzidas a praticar atrocidades.
E o que nós dissemos sobre estes atos de tumultos transitórios aplicam-se de forma similar àqueles movimentos mais permanentes de opinião sobre religião, política, literatura ou matéria artística os quais são constantemente formados ao nosso redor, seja na sociedade inteira ou em círculos mais limitados. Para confirmar esta definição de fato social com uma ilustração característica da experiência comum, precisamos apenas observar como a criança é criada. Considerando os fatos como eles são e como eles sempre têm sido, fica imediatamente evidente que toda educação é um esforço contínuo para se impor na criança modos de ver, sentir e agir os quais ela não adquire espontaneamente.
A partir das primeiras horas de sua vida, nós as forçamos a comer, beber e dormir em horários regulares, nós as forçamos a ser calmas, limpas e obedientes, mais tarde nós as pressionamos a aprender a ter consideração pelos outros, respeitos pelos costumes e convenções, a necessidade do trabalho, etc.
Se com o tempo este constrangimento deixa de ser sentido, é porque ele (o constrangimento) gradualmente aumenta o hábito e a tendência interna tornando o constrangimento desnecessário, mas ainda assim, isto nunca é abolido, uma educação racional deve rejeitar estes métodos, permitindo à criança agir em completa liberdade, mas como esta teoria pedagógica nunca foi aplicada por nenhum povo conhecido, isto precisa ser aceito apenas como uma opinião pessoal, não como um fato que possa ser contraditado. O que faz este fato particularmente instrutivo é que o objetivo da educação é, precisamente, a socialização do ser humano, o processo de educação, entretanto, nos dá simplificadamente o modo histórico pelo qual o ser social é constituído.
Esta incessante pressão a que a criança é submetida é a verdadeira pressão social do seu ambiente que tende a modelar nela a sua auto-imagem, da qual pais e professores são simples representantes e intermediários.  – Emile Durkheim

Da Inversão da Coerção
Durkheim, em “A Divisão do Trabalho Social”, estabelece dois novos conceitos: Solidariedade Mecânica e Solidariedade Orgânica com o suposto propósito de classificar a evolução da sociedade. Considerando como evolução a passagem de uma sociedade simples e de baixa densidade demográfica para outra complexa e de alta densidade demográfica.  Ele considera que na sociedade simples, a solidariedade é mecânica e em razão dos laços pessoais e das tradições. Afirma que nestas sociedades as pessoas são auto-suficientes, existe pouca integração e existe a necessidade de força e repressão para manter a sociedade coesa.  Além de que nestas sociedades as pessoas têm poucas opções na vida.

Na Solidariedade Orgânica - termo de origem funcionalista, (ou organicista para os brasileiros) que por metáfora faz uma analogia entre a sociedade e a estrutura do organismo, onde o funcionamento das partes dá vida ao todo - as pessoas são muito mais integradas e interdependentes entre si e a especialização e cooperação mais ampla. A progressão de solidariedade mecânica para orgânica está baseada em primeiro lugar no crescimento populacional e no aumento da densidade demográfica e em segundo lugar no aumento da “densidade moral”, representada pelo desenvolvimento de iterações sociais mais complexas e em terceiro lugar no aumento das especializações do trabalho.
Evoluindo a sociedade de simples para complexa, aumentam as necessidades mútuas e a Divisão do Trabalho se contrapõe e substitui a Consciência Coletiva. Numa sociedade maior e moderna as pessoas estão conectadas em razão do aumento da dependência que têm entre si a respeito de que cada um cumpra suas funções especializadas.
Para Durkheim, a função da lei é uma das maneiras pelas quais a solidariedade mecânica difere da solidariedade orgânica: na sociedade simples a lei esta focada em seu aspecto punitivo e direcionada a reforçar a coesão da comunidade, frequentemente por tornar a punição pública e extrema.
Por outro lado, na sociedade complexa a lei se dedica ao reparo do dano e é mais dirigida à proteção do indivíduo que da sociedade.

Havendo conflito entre o indivíduo e a sociedade, o que frequentemente acontece, o culto do indivíduo, a moral do individuo é na verdade produto da própria sociedade. Foi a sociedade que instituiu e fez do homem o Deus de quem é serva.” _ Émile Durkheim

 Partindo de premissas questionáveis, como a real existência e validade dos termos Consciência Coletiva, Densidade Moral, Solidariedade Mecânica ou Orgânica, Durkheim ao descrevê-los parece estar mais preocupado em desconstruir os valores de controle social impostos pela sociedade e substituí-los pelos seus, invertendo a ordem da coerção. Em seu contexto o interesse a ser protegido pela lei deixa de ser o da sociedade em favor da proteção do interesse do indivíduo, conforme pede o modelo egoístico anarquista. Num habilidoso jogo de palavras consegue convencer que em uma sociedade simples e pequena existe menos coesão social e maior necessidade de repressão estatal que em uma sociedade densamente povoada. Induzindo à substituição das normas sociais por uma imaginária divisão do trabalho. 
Parece óbvia sua incoerência ao afirmar que numa sociedade que se mantém coesa porque todos agem e todos pensam da mesma maneira, a lei precise ser mais rigorosa para mantê-la coesa. Se todos se conhecem e têm fortes laços de afinidade, não existe a necessidade de lei para conservá-la unida, nem cabimento afirmar que estes laços sejam fracos. Chamar esta sociedade de primitiva parece ter segunda intenção, uma vez que a tática anarquista é a de desconstruir e tornar pejorativos os valores que deseja substituir. Em sua tese o que se deseja eliminar é o componente punitivo da lei. E de fato hoje o judiciário brasileiro prega a eliminação do caráter sancionador da lei, que vem sendo substituído pela tese de que a lei tem um caráter educativo, e a função de regenerar o infrator. Toda esta teoria foi elaborada para modelar a lei aos mandamentos anarquistas de liberdade ilimitada.
Em seguida afirma que em uma sociedade complexa - onde exista uma maior variedade de valores morais, à que ele denomina densidade moral – não exista a necessidade de leis rígidas. Que nesta sociedade o caráter punitivo da lei deve ser substituído por um caráter compensatório e que ante o crime praticado a reparação do dano quando possível satisfaz a pretensão do queixoso substituindo as sanções penais, uma vez que, em sua opinião, o criminoso surge quando a sociedade impõe regras que contrariam a vontade do indivíduo, ou seja, sem elas não existiria o ato criminoso.    

Destas conjecturas anarquistas feitas por Durkheim, nasceram as regras que hoje circulam na mídia e nos corredores dos tribunais brasileiros: O homem é fruto da sociedade, assim, o criminoso é vítima da sociedade que o criou. Bem como a regra: a dúvida favorece réu, pois o indivíduo e não mais a sociedade, passa a ser o bem prioritariamente protegido pela lei. As falácias de Durkheim conseguem ir além, como se vê abaixo, ao transformar a morte de Sócrates em um endeusamento do crime. Atribuindo ao crime um caráter social importante. O criminoso passa a ser visto como um agente político transformador da sociedade. Argumento que os doutores brasileiros adotaram mais que rapidamente. Durkheim iguala o filósofo Sócrates a um assassino ou assaltante comum e extrai a pífia conclusão de que o criminoso é um agente político transformador da sociedade. A conclusão é evidentemente equivocada, mas tem sido empregada com sucesso para alcançar a meta anarquista de suprimir o caráter punitivo da lei brasileira e implantar a impunidade no Brasil.     


Da Deseducação Das Crianças
Embora o próprio Durkheim reconheça que suas idéias não passam de ilações sem provas e que não podiam ser comprovadas, o governo social-anarquista brasileiro decidiu transformar o país em um laboratório e retirar dos pais o direito de educar seus filhos impondo que as crianças brasileiras cresçam segundo o modelo proposto por Émile Durkheim, dentre outros anarquistas.  O resultado desta depravação é que hoje as crianças brasileiras são educadas pela televisão e por pessoas estranhas ao núcleo familiar, crescendo sem qualquer tipo de valor ético, moral, religioso ou cívico. Chegando às escolas em um estado quase irrecuperável transformando o ambiente escolar em uma sucursal do inferno. O resultado que se vê é a péssima formação dos profissionais que hoje disputam vagas no mercado de trabalho e o aumento da criminalidade no país. Um prejuízo irrecuperável para a nação brasileira.
Durkheim integra o movimento chamado Secularização, do qual fazem parte Max Weber e Karl Marx. Este movimento defende que a responsabilidade pela educação das crianças deve ser retirada dos pais e da comunidade e assumida pelo Estado. E que a tradição das famílias de transmitir seus valores oralmente deve ser gradualmente substituída pela cultura escrita distribuída pelo Governo. Diminuindo assim a importância da Consciência Coletiva desenvolvida por Durkheim.
Habitus é outro conceito também empregado para manipular o modo de agir e pensar ou o gosto e a tradição da sociedade. Marcel Mauss, sobrinho de Durkheim, define habitus como os aspectos da cultura que são mantidos pelas práticas diárias dos indivíduos de um grupo, uma sociedade ou uma nação.
Pierre Bourdieu explica habitus como algo dependente da história e memória da população: um costume ou crença se torna parte da estrutura da sociedade quando o propósito que os originou é esquecido. Tornando-se parte da cultura daquela sociedade. Em seu livro “Distinção: Uma Crítica Social do Julgamento do Gosto”, Bourdieu argumenta que a predisposição para gostar de certos tipos de alimentos, música e arte é instigada desde a tenra idade nas crianças dirigindo-as para sua apropriada posição social, forçando-as a interiorizar a preferência por objetos e comportamentos convenientes para elas e adquirindo aversão pelos objetos e gostos das outras classes sociais. 
Estes pensamentos e métodos são oriundos da Filosofia Racionalista. Muitos sociólogos e filósofos contemporâneos como Jürgen Habermas, são contrários a ela por considerá-la desumana e contrária aos ideais iluministas.
  
Patologia Social e Crime
Durkheim observou que existem diversas patologias possíveis que podem conduzir a uma ruptura da integração social e desintegração da sociedade. As duas mais importantes são: anomia e divisão forçada do trabalho. Por anomia Durkheim entende o rápido crescimento populacional que reduz a quantidade de iterações entre os vários grupos o que por sua vez induzem a uma ruptura de entendimento das normas, valores, etc. Por Divisão Forçada do Trabalho Durkheim entende a situação em que os detentores do poder, guiados pelo seu desejo de lucro, impõe às pessoas um trabalho para o qual elas não estão preparadas. Estas pessoas ficam infelizes e o desejo delas de mudar este sistema pode desestabilizar a sociedade.
Durkheim acredita que o crime esta ligado com as condições fundamentais de toda a vida social e tem uma função social. Ele estatui que o crime implica não apenas no modo que abre o caminho para as mudanças, mas em certos casos diretamente executa estas mudanças.
   Examinando o julgamento de Sócrates, ele argumenta que “Seu crime foi a independência de seu pensamento, cometido não apenas a serviço da humanidade, mas também de sua pátria e que isto serviu para preparar os atenienses para uma nova moralidade e fé.” Assim seu crime foi um útil prelúdio para as reformas.
 Neste sentido ele considera o crime como capaz de liberar a tensão social e tendo um efeito purificador sobre a sociedade. Para progredir, a originalidade do indivíduo precisa ser capaz de expressar-se, e que mesmo a originalidade do criminoso deve ser também admitida.

Nesta mesma linha, Nietzsche, também afirma haver uma conexão entre a criatividade e o crime. Em o “O Nascimento da Tragédia” ele assevera: “O melhor e mais brilhante dos homens que queira enriquecer precisa fazê-lo pelo crime.”    

Acima temos um resumo da anarquia extremista que nos governa. E abaixo o dever de lutar contra este fenômeno social. O fato social, fruto da consciência coletiva, das normas sociais da comunidade que antes obrigavam a todos na sociedade, agora se impõe sobre e contra a sociedade. Hoje a sociedade brasileira tem vergonha de assumir seus verdadeiros valores. De dizer não. De opor-se. E se submete aos padrões impostos pela nova consciência coletiva emanada da mídia, emanada pela televisão, pela música, pelo vídeo game, pelas sociedades anônimas que nos dizem o que fazer, pagar, comprar, vestir, comer, assistir, pensar, falar, concordar, gostar, votar para que não sejamos preconceituosos, cafonas, caretas, machistas, moralistas, hipócritas, antigos, antiquados, etc.
Temos que ser modernos e fazer tudo conforme o que eles querem. Quebrar todos os tabus, roubar, espancar, violentar, andar nus, nos despirmos de todo o pudor, sermos ateus, fazer sexo em público, nos homossexualizar, nos depravar, falar palavrões, ofender, desrespeitar, matar pai, mãe, irmão, amigos, vizinhos, compatriotas, Deus. Tudo pode sem culpas ou castigos menos uma coisa, contrariar a regra que eles nos impuseram.
A meta de desmoralizar todas as instituições do Estado já foi atingida. A corrupção e a ineficiência já se instalaram nas famílias e em todos os órgãos públicos. Agora eles podem ser extintos e substituídos por poderes e serviços privados, mais eficientes e melhores, na opinião deles, os anarquistas disfarçados de socialistas, comunistas ou social-capitalistas.
Teremos tribunais privados, polícias privadas, governantes privados, cadeias privadas, educação privada, saúde privada, estradas e pedágios privados, bancos privados, previdência privada, políticos privados, empresas privadas, todo serviço público será privatizado, nossas riquezas serão privatizadas, menos os financiamentos das empresas e os impostos que o povo paga, estes continuarão públicos.
Um país inteiro conquistado sem um tiro. Somente com o poder da persuasão, da ilusão, da mentira e do convencimento. Mas não sem a violência desordenada e caótica entre irmãos que, patrioticamente, deveriam lutar juntos para retomar o Estado em vez de um tirar o sangue do outro. Qual a verdadeira função social do crime monsieur Durkheim? Senão o de despojar o povo brasileiro de seus bens e de sua alma!


DIVIDIR PARA ENFRAQUECER
Suponhamos que eu tenha dez reais e vá a um leilão onde também compareçam outras dez pessoas, cada uma com dois reais no bolso. Sozinho posso vencer os laces de cada concorrente meu. Pois tenho dez reais e cada uma delas apenas dois. Mas juntas elas terão vinte reais contra meus dez e, portanto poderão vencer meu maior lance. Esta é outra tática usada pelos anarquistas. Dividir a sociedade em grupos pequenos para enfraquecê-la. Ao se colocar os grupos “minoritários” contra a sociedade eles também conseguem outra vantagem, militantes gratuitos para defender e propagar os ideais neoanarquistas. No exemplo anterior, em vez de enfrentar um grupo forte de dez pessoas, as transformo em dez grupos minoritários que lutarão umas contra as outras e a meu favor, sem que percebam, pois crio uma versão de minha filosofia para cada um destes grupos.

Esta divisão enfraquece as leis e a crença das pessoas nelas. Dez leis que protejam individualmente o interesse de cada grupo tornam o sistema legal mais confuso e frágil do que uma lei única que proteja a todos, pois esta teria o seu cumprimento exigido por uma multidão e as outras apenas por uma minoria de interessados.
O neoanarquismo é uma filosofia política que considera a existência do Estado indesejável, perigosa e desnecessária. E promove a criação de uma sociedade sem Estado e sem qualquer forma de lei, regra ou norma. Inclusive normas sociais, religiosas e morais. Defende a implantação do sistema pela não violência, pois a violência simplesmente aumenta a reação do povo a ser dominado. A tática empregada é a do convencimento. A propaganda, mas não a propaganda no sentido de anúncio, de divulgação de um produto, e sim, a propaganda no sentido político, aquela que induz ao convencimento, modifica atitudes e opiniões. Esta propaganda visa “desconstruir” os valores que a sociedade possui e substituí-los por outros mais adequados à causa neoanarquista.
A construção da imagem de que as empresas estatais e os serviços públicos eram obsoletos, ineficientes, caros e davam prejuízos levaram à privatização das empresas construídas com o dinheiro do povo; hoje os preços que o povo paga são ainda maiores e os serviços ainda são tão ruins quanto antes ou melhoraram em alguns casos por força do avanço da tecnologia, o que também teria ocorrido se as empresas continuassem estatais. Hoje o pedágio é mais caro, a energia elétrica é mais cara, a taxa da água é mais cara, o preço dos carros são os mesmos, o serviço de telefonia e internet têm as maiores taxas do mundo e são de péssima qualidade isto tudo somado demonstra que a doação dos bens públicos aos particulares foi feita através dos mitos neoanarquistas de que os serviços públicos devem ser privatizados.
Hoje eles constroem uma imagem negativa da polícia: corrupta, violenta, ineficiente e logo teremos uma polícia privada violenta, ineficiente, muito mais cara e corrupta. Muitas milícias totalmente sem controle dominando as ruas surgirão. A lentidão e ineficiência do poder judiciário, as sentenças, decisões e jurisprudências aviltantes logo levarão à sua privatização ou extinção também. O povo convencido da podridão do sistema apoiará sua exterminação. E os mais ricos e violentos farão a sua justiça.

Zhuangzi, filósofo taoísta escreveu: "O pequeno ladrão será colocado na cadeia. O grande ladrão se tornará o governante da nação.”
 
Fazendo uso de um discurso tautológico, onde qualquer que seja a premissa a proposição será sempre verdadeira, os neoanarquistas brasileiros têm conseguido impor enganosamente suas idéias ao povo que as acata sem questionamentos, como se fossem animais amestráveis que se orgulham de aprender rapidamente um truque novo.    


Professor.: Robson Ramos



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